A Crise de Suez

GEOM UFU
11 min readNov 26, 2021

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Só há duas grandes potências no mundo hoje, os Estados Unidos e a União Soviética. O ultimato botou a Inglaterra e a França em seus devidos lugares, de nem grandes, nem potências.

(tradução nossa)

Anwar al-Sadat, futuro presidente egípcio e Prêmio Nobel da Paz, sobre a Crise Internacional de Suez.

Disponível na bibliografia abaixo, no livro de William Keylor

A Crise Internacional de Suez, ocorrida em 1956, no Egito, é um dos acontecimentos mais importantes não só para o conflito envolvendo árabes e israelenses, mas também para as subsequentes lógicas da Guerra Fria. Alguns estudiosos se referem a ela como Segunda Guerra Árabe-Israelense, mas neste texto ela não será assim tratada, por envolver apenas um país árabe e os outros belicosos serem potências coloniais europeias com motivos outros que apenas a Questão Palestina.

Historicamente, o Egito é conhecido por ser o lar do Canal de Suez, uma importante conexão entre o Mar Mediterrâneo e o Mar Vermelho que, desde o fim do século XIX, interconecta Ásia, África e Europa. Com a construção em conjunto do Canal, entre Egito e França, não havia mais necessidade de se cruzar o cabo da Boa Esperança, no extremo sul do continente africano para se conseguir comerciar entre partes dos três continentes. Em 1888, por força do Tratado de Constantinopla, o Canal de Suez foi considerado internacional, em outras palavras, todas as nações, em tempos de paz ou de guerra, poderiam utilizar suas águas para navegação, situação que se repetiria até 1956. Embora fosse uma construção franco-egípcia, por conta de sucessivos endividamentos externos logo após a construção do Canal, o governante do Egito cedeu sua parte da receita para a Inglaterra, que estalaria bases militares próximas e reteria os lucros advindos da construção.

Demonstração da clara importância do Canal de Suez para o comércio internacional.

A figura principal do imbróglio é o carismático Coronel Gamal Abdel Nasser. Entretanto, para entender o que ocorreu na região naquele ano e quem foi Nasser, é preciso, antes, explicitar um pouco a história do Egito no século XX. Como mostrado no primeiro texto, durante o fim do século XIX, as potências europeias ocidentais passaram a ter cada vez mais interesse nos territórios do já caducando Império Otomano e a interferir em seus assuntos internos. Nesse clima, em 1882, travou-se a Guerra Anglo-Egípcia, com intuito de colocar no poder um governante de laços de amizade com a Coroa Britânica. A partir de então, o Egito continuaria a ser parte do território otomano, mas funcionando de jeito diferente, numa espécie de protetorado “velado” da Inglaterra.

Coronel Gamal Abdel Nasser, principal personagem da crise de 1956.

Com o fim da Primeira Guerra Mundial, a derrota das Potências Centrais e o desmantelamento do Império Otomano, os ingleses submeteram o Egito a um protetorado mais direto, até 1922, quando impuseram uma declaração de independência unilateral. A partir daí, estava criado o Reino do Egito, formalmente independente, porém ligado ao Reino Unido pela presença de tropas e bases inglesas em seu território. O Egito era, atrás obviamente da Índia, o maior legado colonial britânico, sendo a principal parte do mundo por onde chegava o petróleo que abastecia a máquina industrial da Europa Ocidental.

Até 1953, o Egito permaneceria uma monarquia, preservando laços com o Império “onde o sol nunca se põe”, que, entretanto, começava a ver, no horizonte, que o sol começaria a se pôr cada vez mais. O início da década de 50 foi marcada por um forte sentimento de descolonização, nacionalismo nas áreas antes coloniais e populismo nas áreas teoricamente independentes, mas do Terceiro Mundo. Na região do Oriente Médio, esse fenômeno foi estimulado pela derrota árabe na Primeira Guerra Árabe-Israelense, gerando a revolta de jovens militares que viam em suas monarquias pró-ocidentais a incapacidade e a falta de interesse em lutar pelo povo palestino. Nesse contexto, um movimento no Egito, comandado pelo Movimento dos Oficiais Livres, em 1952, articulou um golpe de Estado, destronou a Coroa e estabeleceu um novo regime, com o Coronel Gamal Abdel Nasser como líder e primeiro presidente do país.

O Movimento dos Oficiais Livres. Nasser se encontra à esquerda, sentado, encarando a câmera.

A partir de então, Nasser usaria toda sua retórica “terceiromundista” para preencher as duas metas que via como as principais de sua vida, uma de curto-prazo, a outra de longo. De forma imediata, a principal motivação do Coronel era rearmar e desenvolver economicamente o Egito, para que o país pudesse ser a força dominante não só no norte da África, mas também no Oriente Médio, uma vez que a saída francesa e britânica na região geraria um vácuo de poder. Já no horizonte, a principal meta era criar um grande “Império” Árabe, que iria desde a costa do Atlântico até o Golfo Pérsico, obviamente sob influência egípcia, por meio da ideologia do pan-arabismo. Nasser não era amador: enxergando a crescente rivalidade entre URSS e EUA, que ainda lutavam por suas esferas de influência, buscou jogar uma com a outra, recusando-se a assumir um lado e tirando o que lhe fosse mais proveitoso de cada um, estratégia que ficaria internacionalmente reconhecida como “Não-Alinhamento”. Sabendo que, à época de sua ascensão ao poder, as esferas de poder na Guerra Fria, ao menos no que tangiam às áreas periféricas da política internacional, não estavam totalmente definidas, Nasser habilmente fez com que Eisenhower e Kruschev disputassem sua amizade na região do Oriente Médio, até então relativamente alheia às disputas ideológicas. Nesse sentido, para o rearmamento do Egito, aproximava-se cada vez mais de Moscou, comprando armamentos e estabelecendo cooperação militar com técnicos soviéticos; já para o crescimento econômico de sua nação, contava com um amplo financiamento anglo-estadunidense, para contrabalancear os russos.

Esboço, em amarelo, do que seria o pan-arabismo, sonho de Nasser.

Entretanto, o líder egípcio possuía três obstáculos consideráveis. O primeiro era o vasto controle colonial que a França exercia sobre a África do Norte, principalmente na Argélia, pedra-angular do Império Francês: Nasser tratou de dar todas as garantias e assistências possíveis para ajudar a Frente de Libertação Nacional argelina, envolvida em uma guerra civil contra Paris, na busca pela independência. A segunda era a ex “metrópole” egípcia: Nasser insistia para que a Grã-Bretanha se desfizesse de suas bases militares na região do Suez, com a salvaguarda de que a liberdade dos mares não seria interrompida, e guardava mágoas pelo passado de dominação inglesa. A terceira era o grande problema de todos os Estados árabes desde 1948, isto é, a presença de uma nação judaica, totalmente alienada de seus vizinhos e paranoica com sua própria segurança: como a maioria dos habitantes de Israel eram europeus, sua presença lembrava o domínio colonial, fora a mágoa pelos refugiados palestinos produzidos pela Guerra de 1948.

O imperialismo não é apenas uma pilhagem das riquezas do povo, mas uma agressão à sua dignidade e ao seu orgulho. Revoltar-se contra o imperialismo é o direito natural de todos os povos colonizados.

Ex-presidente egípcio Gamal Abdel Nasser (disponível em: https://www.causaoperaria.org.br/rede/dco/opiniao/colunistas/gamal-abdel-nasser-e-o-nacionalismo-arabe/)

A lógica de não-alinhamento de Nasser, jogando com as duas superpotências, funcionaria bem por 3 anos. Entretanto, os EUA, cada vez mais preocupados com a colaboração militar entre soviéticos e egípcios e com um forte lobby interno pró-Israel, ameaçou pôr um ponto final nas aventuras do presidente e retirar o financiamento que estava fazendo nas obras para ajudar no desenvolvimento econômico do país. O reconhecimento, em meados de 1956, por parte do governo egípcio da China comunista, com o estabelecimento de relações diplomáticas, foi a gota d’água: o embaixador do Egito em Washington ouviu do governo americano que não haveria mais verba para o programa. Militar, populista, nacionalista e com o orgulho ferido, Nasser não poderia deixar barato: anunciou então a completa nacionalização do Canal de Suez, para que toda renda gerada com a passagem das embarcações pudesse financiar seu projeto. Vale a pena a transcrição do discurso de nacionalização do canal:

Eis então, ó cidadãos, a batalha em que agora entramos. É uma batalha contra o imperialismo, contra os métodos e as táticas do imperialismo, é uma batalha contra Israel, vanguarda do imperialismo […]

Nacionalismo árabe é progresso. O nacionalismo árabe triunfa. O nacionalismo árabe avança. Conhece seu caminho e conhece sua força. Sabe quem são seus inimigos e quem são os seus amigos […]

(tradução nossa)

Disponível em: https://www.cvce.eu/obj/discours_de_gamal_abdel_nasser_sur_la_nationalisation_de_la_compagnie_du_canal_de_suez_alexandrie_26_juillet_1956-fr-d0ecf835-9f40-4c43-a2ed-94c186061d2a.html

Estava claro que algo deveria ser feito para segurar o freio de Nasser, só não se tinha muita noção do que. Na realidade, os Estados Unidos rechaçavam uma ação militar contra o líder nacionalista, advogando fortemente pelo uso da Organização das Nações Unidas (ONU) para resolver o problema. Tal estratégia estava baseada nos cálculos estadunidenses de que agir de forma semelhante aos ingleses faria os países do Oriente Médio enxergarem o “Tio Sam” como apenas o herdeiro colonial britânico. Uma conta que se mostraria errada, visto que parte considerável dos líderes populistas da região já acreditava nisso.

De início, as respostas foram no campo diplomático: por três meses, tentaram convencer o líder egípcio de que não valia a pena tal estratégia. Não se pode negar que as democracias ocidentais tentaram, em vão, convencer o Coronel a mudar de ideia. Verdade dos fatos, nessa época, a instância da ONU não funcionava como a grande guardiã da sociedade internacional que visava ser, mas sim, como a última instância a que se recorrer, no sentido de mostrar para a opinião pública que se tentou fazer algo, mas como não deu certo, a alternativa militar era a única viável. Alguma solução teria que ser tomada: os três maiores adversários de Nasser, então juntaram-se em uma ofensiva militar, que unia os esforços de Paris, Londres e Tel-Aviv. O primeiro-ministro britânico à época, Anthony Eden, arquirrival declarado de Nasser, chegou a afirmar que ele era a “reencarnação de Hitler” e que queria fazer com o Oriente Médio o que o Führer tentara fazer no continente europeu. O principal objetivo da operação era retirar Nasser do poder e, com isso, restabelecer o status quo. No campo militar, a ofensiva até que deu certo: as forças egípcias não representaram um forte desafio para o poder militar somado dos outros, com os tanques israelenses produzindo grandes danos, com o auxílio de brigadas de paraquedistas anglo-francesas.

À Nasser é servida a cabeça do Primeiro Ministro britânico Anthony Eden.

Mas, fosse esse o fim da história, qual crise Suez teria produzido, de fato? Nenhuma. O problema se encontra num fato relativamente corriqueiro, mas que fez toda diferença: a ofensiva foi feita sem o aval e a concordância dos Estados Unidos. Washington, ao saber do ocorrido, opôs-se firmemente à decisão e ordenou a retirada completa das tropas localizadas no Egito, impondo a seus mais próximos aliados na Guerra Fria uma humilhação.

No fim das contas, para se solucionar a questão, com chancela da URSS e dos EUA, as Nações Unidas entraram em cena: realizou-se uma votação na Assembleia Geral, produzindo uma resolução, aprovada por 64 a 5. Criou-se, na região fronteiriça entre as duas nações, perto da Península do Sinai, uma força de paz da ONU (a UNEF I) para manter a estabilidade. Vale a pena registrar que militares brasileiros fizeram parte da tropa na região entre 1956 e 1967.

Tropa de paz da ONU que ficaria estacionada na fronteira dos países.

A Crise Internacional de Suez teve quatro principais consequências. Para os aliados das democracias ocidentais, mostrou não só que suas pretensões coloniais, de fato, desmoronariam, mas também que eles não tinham mais liberdade de ação: os Estados Unidos não tolerariam nenhuma política externa que não tivesse seu crivo. Aos países subdesenvolvidos, significou não só a permanência de Nasser no poder, mas uma elevação surpreendente de sua popularidade e força, servindo como porta-voz mundial não só da causa pan-árabe, mas do Terceiro Mundo como um todo. Em relação aos soviéticos, em Moscou, a humilhação imposta pelos estadunidenses delegou também bons frutos, fazendo com que os comunistas fossem vistos como protetores das nações subdesenvolvidas na luta contra o imperialismo capitalista, embora, na verdade, tais nações não tivessem muito o que ganhar com o recebimento de armas soviéticas. Anwar al-Sadat, na época chefe de propaganda do Egito, resumiu bem a última consequência na citação inicial deste texto.

O prestígio de Nasser não diminuiu após a Crise de Suez, muito pelo contrário.

A Crise de 1956, logrou consequências consideráveis para o restante do século no que tange às Relações Internacionais, em quase todas as áreas. Contribuiu para a paranoia israelense a presença de um Nasser prestigiado e abertamente hostil à Israel, o que levaria à Guerra dos Seis Dias em 1967. Aproximou cada vez mais a lógica da briga da Guerra Fria entre EUA e URSS para dentro dos conflitos regionais do Oriente Médio. Fez os soviéticos erradamente acreditarem em uma alteração da balança de forças a seu favor e incitou as aventuras no Terceiro Mundo. Para os britânicos, significou reorientação da política externa para uma subserviência em relação à Washington, para tentar sempre acompanhar o colosso americano. Mas sobretudo, possibilitou as ideias franco-germânicas de unidade europeia em oposição à linha dura norte-americana, transformando a maior rivalidade de toda a primeira metade do século XX em possível amizade, processo que culminaria na União Europeia.

Assim previu Konrad Adenauer, líder da Alemanha Ocidental no meio da crise:

A França e a Inglaterra nunca serão potências comparáveis aos Estados Unidos e à União Soviética. A Alemanha também não. Resta-lhes somente um caminho para um papel decisivo no mundo — unirem-se e fazer a Europa. A Inglaterra não está madura para isso, mas o episódio de Suez a ajudará a preparar o espírito. Não temos tempo a perder: a Europa será nossa vingança.

(tradução nossa)

Disponível na bibliografia abaixo, no livro de William Keylor

FONTES DAS IMAGENS (ordem de aparição):

Demonstração da clara importância do Canal de Suez para o comércio internacional: https://www.bbc.com/news/world-middle-east-56550350

Coronel Gamal Abdel Nasser, principal personagem da crise de 1956: https://cdndco.causaoperaria.org.br/wp-content/uploads/2018/12/1960_5_7-Egyptian-President-Gamal-Abdel-Nasser-waving-to-crowds-in-Mansoura-from-a-train-carNasser_in_Mansoura_1960-2-1.jpg

O Movimento dos Oficiais Livres: https://fanack.com/egypt/history-of-egypt/military-revolution-and-republic/

Esboço, em amarelo, do que seria o pan-arabismo, sonho de Nasser: https://iakal.wordpress.com/2016/05/21/pan-arabism-vs-pan-islamism/

À Nasser é servida a cabeça do Primeiro Ministro britânico Anthony Eden: alamy.com/stock-photo-egypt-suez-crisis-1956-nsalome-british-cartoon-by-leslie-gilbert-illingworth-95470042.html?pv=1&stamp=2&imageid=F8EEFD3E-1668–40A0–836F-20832EE37F84&p=294647&n=0&orientation=0&pn=1&searchtype=0&IsFromSearch=1&srch=foo%3dbar%26st%3d0%26pn%3d1%26ps%3d100%26sortby%3d2%26resultview%3dsortbyPopular%26npgs%3d0%26qt%3dsuez%2520crisis%26qt_raw%3dsuez%2520crisis%26lic%3d3%26mr%3d0%26pr%3d0%26ot%3d0%26creative%3d%26ag%3d0%26hc%3d0%26pc%3d%26blackwhite%3d%26cutout%3d%26tbar%3d1%26et%3d0x000000000000000000000%26vp%3d0%26loc%3d0%26imgt%3d0%26dtfr%3d%26dtto%3d%26size%3d0xFF%26archive%3d1%26groupid%3d%26pseudoid%3d%26a%3d%26cdid%3d%26cdsrt%3d%26name%3d%26qn%3d%26apalib%3d%26apalic%3d%26lightbox%3d%26gname%3d%26gtype%3d%26xstx%3d0%26simid%3d%26saveQry%3d%26editorial%3d1%26nu%3d%26t%3d%26edoptin%3d%26customgeoip%3d%26cap%3d1%26cbstore%3d1%26vd%3d0%26lb%3d%26fi%3d2%26edrf%3d%26ispremium%3d1%26flip%3d0%26pl%3d

Uma das tropas de paz da ONU que ficaria estacionada na fronteira dos países: https://www.gettyimages.ie/detail/news-photo/suez-canal-crisis-egypt-a-un-troop-contingent-arrive-to-news-photo/79034983?adppopup=true

O prestígio de Nasser não diminuiu após a Crise de Suez, muito pelo contrário: https://www.wsj.com/articles/egypt-prepares-to-inaugurate-expanded-suez-canal-1438767185

FONTES BIBLIOGRÁFICAS:

BAXTER, Kylie; AKBARZADEH, Sharam. Middle East Politics and International Relations: Crisis Zone. Nova Iorque: Routledge, 2018.

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______. The Israel-Palestine Conflict: One Hundred Years of War. 3. ed. Cambridge: Cambridge University Press, 2014.

KEYLOR, William R. The Twentieth-Century World and Beyond: An International History since 1900. 6. ed. Oxford: Oxford University Press, 2011.

HALLIDAY, Fred. The Middle East in International Relations: Power, Politics and Ideology. Cambridge: Cambridge University Press, 2005.

ROGAN, Eugene L. The Emergence of the Middle East into the Modern State System. FAWCETT, Louise (Ed.). International Relations of the Middle East. 4. ed. Oxford: Oxford University Press, 2016.

SMITH, Charles. The Arab-Israeli Conflict. FAWCETT, Louise (Ed.). International Relations of the Middle East. 4. ed. Oxford: Oxford University Press, 2016.

TESSLER, Mark. The Israeli-Palestinian Conflict. LUST, Ellen (Ed.). The Middle East. 14. ed. SAGE Publishing, 2017.

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Somos um Grupo de Estudos em Oriente Médio, idealizado por alunas do curso de Relações Internacionais da Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

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